domingo, 1 de maio de 2011

O QUE É O ESPIRITISMO - parte VI

2.3    A reencarnação
Compreendemos, assim, que nós mesmos  conquistamos nossa evolução, vida após vida, encarnação após encarnação. Todas as experiências que vivenciamos, sejam boas ou más, servirão para compor nossa história espiritual.

Isso explica, por exemplo, porque há pessoas que têm tendências para um desenvolvimento precoce para a música, pintura, matemática e demais artes sem terem tido nenhum incentivo para isso nesta existência.

Por outro lado, há os que desde crianças têm o chamado popularmente “gênio forte”, onde impera a violência, a impaciência, o egoísmo. Tanto para o bem quanto para o mal estas tendências nada mais são do que a demonstração do que compõe a nossa história espiritual, traduzida e apresentada como inclinações que temos na vida presente. Caberá a cada um de nós alimentarmos estas vocações (se forem para o bem) ou cerceá-las (se forem para o mal). E é nisso que resulta a sabedoria de Deus na reencarnação. Nela, nós mesmos colheremos o que de bom ou ruim semearmos.

Com isso, a Doutrina Espírita põe fim às penas eternas, incoerentes com a bondade e misericórdia suprema do Pai. Pois se nós, seres imperfeitos, sabemos perdoar e dar novas oportunidades a nossos filhos, muito mais o fará Deus. Ao invés de jogar eternamente no inferno quem errou, dá novas oportunidades de vida, onde se colherá o que se plantou, aprendendo o melhor caminho a seguir.

Além disso, a reencarnação consegue explicar os porquês de problemas de nascença, ou de problemas que nos acompanham no decorrer da vida. Se as causas não se acharem presentes na atualidade, só podem ser frutos de atitudes cometidas em outras existências. Senão, onde estaria a justiça de Deus, que deu saúde e paz a uns e desgraças a outros? Só a reencarnação mostra como o Pai é sábio e justo, pois sua Lei espiritual dá a cada um segundo suas obras, visando sempre um único destino para todos: a felicidade eterna.

Na Bíblia, no Evangelho segundo Mateus, XVII; versículos 1 a 13, na passagem denominada “Transfiguração”, há vários elementos que nos comprovam o que a Doutrina Espírita nos ensina:

“Tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a João, seu irmão, e os conduziu em particular , a um alto monte. E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu com o sol, e os seus vestidos se tornaram brancos como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele...  E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Por que dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro? E Jesus respondendo-lhes, disse: Em verdade, Elias virá primeiro, e restaurará todas as coisas. Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do Homem. Então, entenderam os discípulos que ele lhes falara de João Batista”.
Aqui, podemos observar a existência do mundo espiritual, a comunicação dos Espíritos e a reencarnação. Jesus deixa bem claro que João Batista, seu primo e pregador, que havia vivido junto com ele, antes de ser preso e decapitado pelo rei Herodes, foi na verdade a reencarnação do profeta Elias, que vivera há mais de 900 anos antes de Jesus. Naquele momento, depois de seu desencarne, João apresentava-se a Jesus com a aparência de Elias, juntamente com Moisés, outro profeta desencarnado há 1700 anos.

Abaixo, mais algumas passagens da Bíblia que falam sobre a reencarnação e a confusão que os Judeus faziam com ressurreição. Isso porque, reencarnação é o renascimento do Espírito para viver em um novo corpo, que nada tem a ver com o anterior. É o que acredita a Doutrina Espírita. Já ressurreição é a volta do Espírito no mesmo corpo que havia habitado, mesmo que esse já tenha sido decomposto, que é o que crêem outras religiões.

Essa confusão fez com que Jesus não falasse diretamente da reencarnação para o povo, mas sim apenas com seus discípulos mais próximos, que teriam uma melhor condição espiritual de compreender o processo que envolve a reencarnação. Mas mesmo entre eles, havia dificuldade para o entendimento completo. Por isso, Jesus deixa muitas vezes subtendido o assunto. Vejamos em Marcos, VI; 14 e 15 / Lucas, IX; 7 a 9:

“Jesus expulsava muitos demônios e curava enfermos. E ouviu isto o rei Herodes (por que o nome de Jesus se tornara notório), e disse: João, o que batizava, ressuscitou dos mortos, e por isso estas maravilhas operam nele. E outros diziam: Ele é Elias, ou um dos profetas. Herodes, porém, disse: Este é João, que mandei degolar, e ressuscitou dos mortos”.

 

Em Marcos, VIII; 27:

“Jesus interrogou a seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens que eu sou? E eles disseram: Dizem que é João Batista, outros que é Elias; e outros, um dos profetas”.
 


Nestas duas passagens, não podiam estar se referindo à ressurreição, mas sim à reencarnação, pois a ressurreição traria João, ou outros dos profetas, com o mesmo corpo de antigamente. E Jesus tinha nascido, seus pais eram conhecidos, e portanto, não poderia ser a ressurreição de nenhum deles. Mas sim, a reencarnação. O que falavam as pessoas, o rei Herodes e os discípulos demonstra a confusão entre ressurreição e reencarnação, mas deixa claro que a crença na volta do Espírito à vida era conhecida, mas não compreendida.

Em João, IX; 1 a 41:

“Jesus viu um cego de nascença, e seus discípulos lhe perguntaram: Rabi, quem pecou para que esse homem nascesse cego, ele ou seus pais? Jesus então lhes disse: Nem ele pecou, nem seus pais, mas foi assim para que se manifestasse nele as obras de Deus”.


 
Passagem que demonstra mais claramente ainda que os discípulos e Jesus conversavam sobre a reencarnação.  A pergunta dos apóstolos sobre quem teria pecado para que aquele homem nascesse assim nos indica que havia uma dúvida sobre o processo reencarnatório. E mais, se o cego era de nascença, como ele poderia ter pecado, senão em outra vida?

E Jesus, então, ensina que não se tratava de uma expiação, ou seja, do pagamento de um erro de outras vidas; mas que aquela situação era uma prova por qual passava o Espírito, e que teria fim com o “milagre” de Jesus. Falaremos mais sobre provas e expiações no item “Lei de Causa e Efeito”.
No proximo tópico vamos seguir com "Evolução moral e intelectual dos espíritos"
 

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