segunda-feira, 9 de maio de 2011

Allan Kardec






Denizard Hippolyte Léon Rivail 
(Allan Kardec)
(Nasceu em Lyon, 3 de outubro de 1804 — Desencarnou em Paris, 31 de março de 1869)








    Foi educador, escritor e tradutor francês. Sob o pseudônimo de Allan Kardec, notabilizou-se como o codificador do espiritismo (neologismo por ele criado), também denominado de Doutrina Espírita.
    O pseudônimo "Allan Kardec", segundo biografias, foi adotado pelo Prof. Rivail a fim de diferenciar a Codificação Espírita dos seus trabalhos pedagógicos anteriores. Segundo algumas fontes, o pseudônimo foi escolhido pois um espírito revelou-lhe que haviam vivido juntos entre os druidas, na Gália, e que então o Codificador se chamava "Allan Kardec".
    No 4º Congresso Mundial em Paris (2004), o médium brasileiro Divaldo Pereira Franco psicografou uma mensagem atribuída ao espírito de León Denis em francês (invertida) declarando que Allan Kardec fora a reencarnação de Jan Hus, um reformador religioso do século XV. Esta informação já foi dada em diversas fontes diferentes, o que está de acordo com o Controle Universal do Ensino dos Espíritos, que Kardec definiu da seguinte forma: "uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíritos - a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares."


A juventude e a atividade pedagógica

    Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia.
    Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdon-les-Bains, na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha. Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados, criando cursos gratuitos para os mesmos. Aos dezoito, bacharelou-se em Ciências e Letras.
    Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal. Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais manifestava particular atração. Conhecia a fundo os idiomas francês, alemão, inglês e holandês, além de dominar perfeitamente os idiomas italiano e espanhol.
    Era membro de diversas sociedades, entre as quais da Academia Real de Arras, que, em concurso promovido em 1831, premiou-lhe uma memória com o tema "Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?".
    A 6 de fevereiro de 1832 desposou Amélie Gabrielle Boudet. Em 1824, retornou a Paris e publicou um plano para aperfeiçoamento do ensino público. Após o ano de 1834, passou a lecionar, publicando diversas obras sobre educação, e tornou-se membro da Real Academia de Ciências Naturais.
    Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público. Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia e outros. Nesse período, preocupado com a didática, criou um engenhoso método de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História de França, visando facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior expressão e as descobertas de cada reinado do país.
    As materias que lecionou como pedagogo são: Química, Matemática, Astronomia, Física, Fisiologia, Retórica, Anatomia Comparada e Francês.



Das mesas girantes à Codificação

    Conforme o seu próprio depoimento, publicado em Obras Póstumas, foi em 1854 que o Prof. Rivail ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das "mesas girantes", bastante difundido à época, através do seu amigo Fortier, um magnetizador de longa data. Sem dar muita atenção ao relato naquele momento, atribuindo-o somente ao chamado magnetismo animal de que era estudioso, só em maio de 1855 sua curiosidade se voltou efetivamente para as mesas, quando começou a frequentar reuniões em que tais fenômenos se produziam.
    Durante este período, também tomou conhecimento do fenômeno da escrita mediúnica - ou psicografia, e assim passou a se comunicar com os espíritos. Um desses espíritos, conhecido como um "espírito familiar", passa a orientar os seus trabalhos. Mais tarde, este espírito iria lhe informar que já o conhecia no tempo das Gálias, com o nome de Allan Kardec. Assim, Rivail passa a adotar este pseudônimo, sob o qual publicou as obras que sintetizam as leis da Doutrina Espírita.
    Convencendo-se de que o movimento e as respostas complexas das mesas deviam-se à intervenção de espíritos, Kardec dedicou-se à estruturação de uma proposta de compreensão da realidade baseada na necessidade de integração entre os conhecimentos científico, filosófico e moral, com o objetivo de lançar sobre o real um olhar que não negligenciasse nem o imperativo da investigação empírica na construção do conhecimento, nem a dimensão espiritual e interior do Homem.
    Tendo iniciado a publicação das obras da Codificação em 18 de abril de 1857, quando veio à luz O Livro dos Espíritos, considerado como o marco de fundação do Espiritismo, após o lançamento da Revista Espírita (1 de janeiro de 1858), fundou, nesse mesmo ano, a primeira sociedade espírita regularmente constituída, com o nome de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.



Os últimos anos

    Kardec passou os anos finais da sua vida dedicado à divulgação do Espiritismo entre os diversos simpatizantes, e defendê-lo dos opositores atraves da Revista Espirita Ou Jornal de Estudos Psicologicos. Faleceu em Paris, a 31 de março de 1869, aos 64 anos (65 anos incompletos) de idade, em decorrência da ruptura de um aneurisma, quando trabalhava numa obra sobre as relações entre o Magnetismo e o Espiritismo, ao mesmo tempo em que se preparava para uma mudança de local de trabalho. Está sepultado no Cemitério do Père-Lachaise, uma célebre necrópole da capital francesa. Junto ao túmulo, erguido como os dólmens druídicos, Acima de sua tumba, seu lema: "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei", em francês.
    Em seu sepultamento, o astrônomo francês e amigo pessoal de Kardec, Camille Flammarion, proferiu o seguinte discurso, ressaltando a sua admiração por aquele que ali baixava ao túmulo:
"Voltaste a esse mundo donde viemos e colhes o fruto de teus estudos terrestres. Aos nossos pés dorme o teu envoltório, extinguiu-se o teu cérebro, fecharam-se-te os olhos para não mais se abrirem, não mais ouvida será a tua palavra… Sabemos que todos havemos de mergulhar nesse mesmo último sono, de volver a essa mesma inércia, a esse mesmo pó. Mas, não é nesse envoltório que pomos a nossa glória e a nossa esperança. Tomba o corpo, a alma permanece e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor e no céu imenso onde usaremos das nossas mais preciosas faculdades, onde continuaremos os estudos para cujo desenvolvimento a Terra é teatro por demais acanhado. (…) Até à vista, meu caro Allan Kardec, até à vista!"

Sobre Kardec, Gabriel Delanne escreveu:
"Substituindo a fé cega numa vida futura, pela inquebrantável certeza, resultante de constatações científicas, tal é o inestimável serviço prestado por Allan Kardec à humanidade."



Obras Didáticas:

O professor Rivail escreveu diversos livros pedagógicos, dentre os quais destacam-se:

    * 1824 - Curso prático e teórico de Aritmética, segundo o método de Pestalozzi, para uso dos professores e mães de família, com modificações - 2 tomos
    * 1828 - Plano proposto para melhoramento da Instrução Pública
    * 1831 - Gramática Francesa Clássica
    * 1831 - Qual o sistema de estudo mais consentâneo com as necessidades da época?.
    * 1846 - Manual dos exames para os títulos de capacidade: soluções racionais de questões e problemas de Aritmética e de Geometria
    * 1848 - Catecismo gramatical da Língua Francesa
    * 1849 - Programa dos Cursos ordinários de Química, Física, Astronomia, Fisiologia
    * 1849 - Ditados normais dos exames da Municipalidade e da Sorbona
    * 1849 - Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas



Diplomas Obtidos:

Lista dos principais diplomas obtidos por Denizard Rivail durante a sua carreira de professor e diretor de colégio:
    * Diploma de fundador da Sociedade de Previdência dos Diretores de Colégios e Internatos de Paris - 1829
    * Diploma da Sociedade para a Instrução Elementar - 1847. Secretário geral: H. Carnot.
    * Diploma do Instituto de Línguas, fundado em 1837. Presidente: Conde Le Peletier-Jaunay.
    * Diploma da Sociedade de Educação Nacional, constituída pelos diretores de Colégios e de Internatos da França - 1835. Presidente: Geoffroy de Saint-Hilaire.
    * Diploma da Sociedade Gramatical, fundada em Paris em 1807, por Urbain Domergue - 1829.
    * Diploma da Sociedade de Emulação e de Agricultura do Departamento do Ain - 1828 (Rivail fora designado para expor e apresentar em França o método de Pestalozzi).
    * Diploma do Instituto Histórico, fundado em 24 de Dezembro de 1833 e organizado a 6 de Abril de 1834. Presidente: Michaud, membro da academia francesa.
    * Diploma da Sociedade Francesa de Estatística Universal, fundada em Paris, em 22 de Novembro de 1820, por César Moreau.
    * Diploma da Sociedade de Incentivo à Indústria Nacional, fundada por Jomard, membro do Instituto.
    * Medalha de ouro, 1º prêmio, conferida pela Sociedade Real de Arrás, no concurso realizado em 1831, sobre educação e ensino



Obras espíritas

As cinco obras fundamentais que versam sobre o Espiritismo, sob o pseudônimo Allan Kardec, são:
    * O Livro dos Espíritos, Princípios da Doutrina Espírita, publicado em 18 de abril de 1857;
    * O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Evocadores, em janeiro de 1861;
    * O Evangelho segundo o Espiritismo, em abril de 1864;
    * O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo, em agosto de 1865;
    * A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo, em janeiro de 1868.

Além delas, como Kardec, publicou mais cinco obras complementares:
    * Revista Espírita (periódico de estudos psicológicos), publicada mensalmente de 1 de janeiro de 1858 a 1869;
    * O que é o Espiritismo (resumo sob a forma de perguntas e respostas), em 1859;
    * Instrução prática sobre as manifestações espíritas (substituída pelo Livro dos Médiuns; publicada no Brasil pela editora O Pensamento)
    * O Espiritismo em sua expressão mais simples, em 1862;
    * Viagem Espírita de 1862 (publicada no Brasil pela editora O Clarim).

Após o seu falecimento, viria à luz:
    * Obras Póstumas, em 1890.

Outras obras menos conhecidas foram também publicadas no Brasil:
    * O principiante espírita (pela editora O Pensamento)
    * A Obsessão (pela editora O Clarim)



Citações

    * "A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação."

Allan Kardec.

    * "Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as consequências e busca as aplicações úteis. Não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipóteses a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da doutrina; concluiu pela existência dos Espíritos, quando essa existência ressaltou evidente da observação dos fatos, procedendo de igual maneira quanto aos outros princípios. Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subsequentemente explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação. As ciências só fizeram progressos importantes depois que seus estudos se basearam sobre o método experimental; até então, acreditou-se que esse método também só era aplicável à matéria, ao passo que o é também às coisas metafísicas."

    * "(…)o Espiritismo, restituindo ao Espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor. O Espiritismo, alargando o círculo da família pela pluralidade das existências, estabelece entre os homens uma fraternidade mais racional do que aquela que não tem por base senão os frágeis laços da matéria, porque esses laços são perecíveis, ao passo que os do Espírito são eternos. Esses laços, uma vez bem compreendidos, influirão pela força das coisas, sobre as relações sociais, e mais tarde sobre a Legislação social, que tomará por base as leis imutáveis do amor e da caridade; então ver-se-á desaparecerem essa anomalias que chocam os homens de bom senso, como as leis da Idade Média chocam os homens de hoje…"


NOTAS: Diz-se codificador pois o seu trabalho foi o de reunir, compilar e sistematizar textos recebidos por diversos médiuns naquela época.

Referências biobliográficas
    * ABREU FILHO, Júlio. Biografia de Allan Kardec. in: O Principiante Espírita. São Paulo: O Pensamento, 1956. p. 7-30.
    * CARNEIRO, Victor Ribas. ABC do Espiritismo (5a. ed.). Curitiba (PR): Federação Espírita do Paraná, 1996. 223p. ISBN 85-7365-001-X p. 47-51.
    * INCONTRI, Dora. Para Entender Allan Kardec. São Paulo: Lachâtre, 2004.
    * INCONTRI, Dora. Pedagogia Espírita, um Projeto Brasileiro e suas Raízes. Bragança Paulista (SP): Comenius, 2004.
    * JORGE, José. Allan Kardec no pensamento de Léon Denis. Rio de Janeiro: Centro Espírita Léon Denis/Departamento Editorial, 1978. 48p.
    * s.a.. Revista Espírita, maio de 1869. in: KARDEC, Allan. Obras Póstumas (14a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1975.
    * SAUSSE, Henri. Biografia de Allan Kardec. in: O que é o espiritismo (38a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1997. ISBN 8573281138 p. 9-48
    * SOARES, Sylvio Brito. Grandes Vultos da Humanidade e o Espiritismo. 1ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1961.
    * WANTUIL, Zêus, THIESEN, Francisco . Allan Kardec – o Educador e o Codificador. Rio de Janeiro: FEB, 2004.


Livros em domínio público

    * Allan Kardec. O Livro dos Espíritos (em português).
    * Allan Kardec. O Livro dos Médiuns (em português).
    * Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo (em português).
    * Allan Kardec. O Céu e o Inferno (em português).
    * Allan Kardec. A Gênese (em português).


As Cinco encarnações que antecederam Kardec:
    Para que um Espírito alcance a evolução de Allan Kardec são necessárias várias encarnações. E assim o foi. Antes de renascer pela última, em Lyon, no ano de 1804, o que se sabe é o que o codificador fora um sacerdote druida, na Gália antiga, ao tempo em que Júlio César imperava no mundo.
    Essa notícia quem nos dá é Henri Sausse, o maior biógrafo de Kardec, seu contemporâneo. As duas outras biografias são muito curtas e pouco nos dizem de Kardec; uma de Camille Flammarion, constante do discurso que pronunciou à beira do túmulo do mestre (Óbras Póstumas, da FEB); e a outra, divulgada pela Revue Spirit, de maio de 1869.
    Henri Sausse fez excelente trabalho, agora inserido na obra "O que é o Espiritismo?", edição da FEB. Vejamos o que afirma Henri Sausse: -"Uma noite, seu Espírito, Z, deu-lhe por um médium, uma comunicação toda pessoal, na qual lhe dizia, entre outras coisas, tê-lo conhecido em precedente existência, quando ao tempo dos druidas. Viviam junto nas Gálias, ele se chamava, então, Allan Kardec, e como a amizade que lhe havia votado só fazia aumentar, prometia-lhe esse Espírito secundá-lo na tarefa muito importante a que ele era chamado e que facilmente levaria a termo".
    Isso ocorre na casa de Emille Charles Baudin, e Z, como se sabe, era a abreviatura de Zéfiro. Naquela época, nas Gálias, Allan Kardec era superior a Zéfiro, na hierarquia sacerdotal. Em termos de evolução espiritual, Kardec também lhe estaria acima, conforme se lê em Obras Póstumas. Em outro trecho de seu trabalho biográfico, Henri Sausse registra:
    -"Sendo o seu nome muito conhecido no mundo científico, em virtude dos seus trabalhos anteriores, e podendo originar uma confusão, talvez mesmo prejudicar o êxito do empreendimento, ele adotou o alvitre de assinar com o nome de Allan Kardec que, segundo lhe revelara o guia, ele tivera ao tempo dos druidas. A revelação de Zéfiro, Espírito guia de Rivail, fora altamente benéfica ao movimento que se iniciava, talvez dali tenha partido o toque intuitivo que levaria o famoso discípulo de Pestalozzi a adotar o nome que usara em encarnações precedentes: Allan Kardec".
    Pretendendo homenagear o movimento druídico, Allan Kardec escreveu um ano depois do aparecimento de "O Livro dos Espíritos", interessante artigo sobre o Espiritismo entre os druidas, divulgado na Revue Spirit de abril de 1858. André Moreil também chama a atenção dos espíritas para essa espécie de homenagem do codificador ao druidismo.
    Considerando que Júlio César imperou na Gália de 58 a.C. a 44 a.C., é nessa faixa que temos de localizar a encarnação do codificador, àquela época, isto porque conforme esclarecimento anterior pela médium Caroline, fora revelado que tal existência ele vivera ao tempo em que aquele notável guerreiro imperava sobre o mundo, inclusive a Gália.
    Vejamos agora a sua existência no século XIV, encarnando a figura estóica e varonil de Jean de Husinec (Jan Huss que, em tcheco, quer dizer ganso ou pato). A notícia dessa outra encarnação foi dada psicograficamente através da médium Ermance Dufaux, no ano de 1857. O registro do fato, que também se achava na livraria de Leymarie e foi copiado por Canuto Abreu, teve, com a invasão nazista, os originais destruídos.
    Jan Huss, reformador tcheco, filho de camponeses, nasceu em Husinec, em 1369. Após ser queimado vivo pela Igreja, por decisão do Concílio de Constança, no ano de 1415, acabou tornando-se herói da Boêmia herética. Sua fama não é apenas literária. Descontente das suas preciosas obras, Jan Huss simboliza o ponto de partida de um movimento de idéias. Por volta de 1400, Jan Huss sofreu terrível crise religiosa, com o que aprofundou seus estudos do Cristianismo. Foi nomeado, então, pregador da Capela de Belém, em Praga, capital da Boêmia, Carlos IV subiu ao poder e, alimentando as aspirações dos tchecos, acabou favorecendo a revolta de Praga contra os abusos eclesiásticos. Jan Huss era abertamente pela reforma e pela preponderância nacional da Boêmia.
    O tempo correu. Mais tarde, Jan Huss entra em luta contra o papa João XXIII, atacando a venda das indulgências e a política agressiva do Vaticano. Jerônimo de Praga se engajou também na luta, mas o Rei de Nápoles estabeleceu a pena de morte para quem ofendesse o papa. No dia 6 de fevereiro de 1415, Jan Huss foi, afinal, condenado e logo executado. Conduzido a um terreno baldio, despiram-no, amarraram-no a um poste e queimaram-no vivo. Em meio às labaredas, ouviram-no dizer: "Hoje queimam um pato, mas amanhã virá um cisne de luz que as chamas não alcançarão".
    Atestam os historiadores que Jan Huss era uma alma boa, sensível, piedosa, pulcra e honesta. Deu grande importância à pureza do Cristianismo, pregando sempre que a verdadeira igreja era a do Cristo. A outra existência do professor Hippolyte Léon Denizard Rivail passa-se de 30 a 37, quando Jesus exerce na Terra o seu celeste mandato. Foram anos de surpresa, de deslumbramento, de paixão e de glória. Ter podido reencarnar nesse período, nessa faixa histórica, é merecimento e prêmio, até mesmo para os que houveram de suportar terríveis provações.
    É natural também que se aceite como apanágio razoável a importância de terem os principais Espíritos responsáveis pela Terra participado, de um modo ou de outro, da pregação de Jesus; em outras palavras, é muito sensato que Kardec, Ghandi, Francisco de Assis, Emmanuel (como senador Públio Lêntulus) e Francisco Cândido Xavier (como Flávia, filha do então senador, segundo o próprio médium), tenham sido contemporâneo do Messias.
    Kardec, nesta época, estava reencarnado e seu nome era Quirílius Cornélius. Seu pai fora soldado, a mãe e os tios habitavam a casa do avô, um rico e sábio filósofo. Esse avô quis fazer de Quirílius Cornélius um sábio, também, mas o pai acabou conduzindo-o à carreira das armas. Estagiou pela primeira vez em Massília, nas Gálias; dali foi destacado para servir em Jerusalém, na Judéia, província então governada como é sabido, pelo procurador romano Pôncio Pilatos. Quirílius Cornélius tinha grande facilidade de aprender línguas.
    Em Jerusalém, passou a ocupar um cômodo na casa de certo Galileu, homem pobre de numerosa família, mas muito honesto. Uma de suas filhas, jovem e bonita chamada Abigail, veio a agradar sobremaneira a Quirílius; foi ali, naquela casa e naquele ambiente que ouviu falar pela primeira vez em Jesus, com quem irá posteriormente ter contato pessoal.
    Quem era Quirílius Cornélius? Seria Allan Kardec? Onde se encontram essas informações? Numa obra seríssima, muito bem feita, de grande repercussão mundial, ditada por um respeitável autor espiritual, psicografada por uma médium de excepcionais recursos e, finalmente - o que é importantíssimo - editada sob a chancela da Federação Espírita Brasileira, em tradução de Manuel Quintão. Trata-se do livro Herculanum, do conde J. W. Rochester (na realidade, o poeta inglês Hohn Wilmor, desencarnado em 1680, boêmio e cortesão de Carlos II, da Inglaterra.
    A informação sobre Allan Kardec é apresentada de forma muito clara e muito explícita; o ponto essencial se encontra à página 351, da quarta edição, e está vazado nos seguintes termos: "A esses, como conquistá-los? Como encontrar a pista de suas almas? Tu mesmo, tu valoroso centurião que não há muito foste Allan Kardec; tu que na última encarnação te devotasse à fundação de uma doutrina que esclarece e consola a humanidade, quantos dissabores não amargastes? Mais adiante, à página 353: "Depois, o Espírito Kardec ascendeu aos páramos infinitos".
    Com a revelação sobre Quirílius Cornélius, podemos seguir e bater noutra figura referida naquele mesmo livro. Trata-se do eremita João, que aliás, na narrativa de Rochester, é o personagem que interessa. Quirílius só surge porque João recorda sua encarnação ocorrida antes, ao tempo de Cristo. A rigor, o personagem de Herculanum é João, o eremita. Vivia ele no ano 79, época da erupção do Vesúvio, numa espécie de gruta, perto da cidade de Herculano. Era um homem alto que, comumente, aparecia envolto num hábito cinzento, tinha idade avançada, porém denotando vigor e porte. Na história, é uma figura austera, centro dos principais acontecimentos, embora surgindo muito poucas vezes no enredo.
    A referência principal de Rochester está contida a partir da página 191, da edição citada. João, o eremita, aparece narrando à personagem central da história, passagens de sua vida pretérita, quando ainda tinha sido o centurião Quirílius Cornélius. Era então o responsável por Jesus, na prisão; mas, como não acreditava na culpa do Salvador, propôs-lhe uma troca; tomaria o seu lugar, deixando que Jesus se evadisse; morreria pelo Cristo. Este, porém, lhe teria respondido: -"Agradeço-te e muito. Aprecio teu devotamento, mas não posso aceitá-lo.
    Acaso consideras menor o meu sacrifício, se houvera de permanecer neste mundo em que me é tão difícil praticar o bem? Não, amigo, eu deploro a minha sorte, a mesma que tiveram os profetas que me precederam, mortos pelos homens; mas, não suponhas, também que eu desdenhe o sacrifício da tua vida. "Parou com os olhos no vácuo, dando à fisionomia uma feição singular: - "Pois tu hás de morrer por mim, e estou a ver as chamas da fogueira que te espera.. mas, isto não será por agora... Referia-se a Jan Huss, queimado em Constança, em 1415.
    Resumindo: o centurião Quirílius Cornélius quis morrer em lugar do Mestre. Jesus lhe diz, então, que seu sacrifício será aproveitado no futuro, quando reencarnar como Jan Huss. No livro de Camille Flammarion, Narrações do Infinito, em tom de diálogo, Lúmen explica a Quaerens inumeráveis aspectos do passado longínquo da Terra e de outros tipos de vidas existentes na criação, há milhares de anos. Na narrativa escrita por Camille em 1869, Lúmen descreve a constelação de Órion, onde há um planeta em que os seres não têm a natureza vegetal, nem animal - não poderiam mesmo caber em nenhuma das catalogações terrestres, ou ainda em uma das grandes divisões: reino vegetal e reino animal..
    -"Foi lá que conheci o Espírito Cencardo, presentemente na Terra; que publica seus estudos sob o nome de Allan Kardec. Durante nossa vida terrena, não nos recordamos de que éramos velhos conhecidos, mas nos sentimos, por vezes, atraídos um para o outro, por singulares aproximações de pensamento. Agora que retornou, tal qual eu, ao mundo dos Espíritos, ele se lembra também da singular República de Órion e poder revê-la".
    KARDEC E NAPOLEÃO: Contam as tradições do mundo espiritual que, na madrugada de 1º de janeiro de 1800, ao se apagarem as luzes do século XVIII, foi reunida na psicosfera próxima a Terra uma imensa assembléia para traçar os destinos da humanidade. Aquela reunião havia sido programada há mais de 300 anos e deveria definir os roteiros dos séculos XIX e XX, inaugurando uma Era nova para a Humanidade. Os narradores desse evento asseveram que, naquele momento especial, faziam-se presentes delegações de Espíritos que habitaram as mais diferentes nações da Terra desde as entidades venerandas que precederam a história dos tempos contemporâneos, independente de suas crenças religiosas; todos trabalhando para auxiliar a Lei da Evolução.
    Foram eles: Krishna, Lao-Tsé, Confúcio, Hermes. Como aqueles que viveram na área ocidental, preparando o campo para o pensamento filosófico: Sócrates, Platão, Aristóteles. E outras personalidades que se encarregaram de examinar a realidade da matéria, como: Leucipo, Lucrécio, Demócrito. E a seguir, entidades que precederam o momento grandioso da chegada de Jesus: Salústio, Tito Lívio, Mecenas, Otávio, Ovídio. E aqueles que participaram da revolução do pensamento cristão, entre os séculos II e IV: Agostinho, Tertuliano, Orígenes - que constituíram a ideologia do Cristianismo, à luz do platonismo. E a seguir, entidades venerandas que espocaram as luzes da fé em plena noite medieval, até o momento em que se alargaram os horizontes do planeta, com as conquistas náuticas, com as conquistas da cultura, com as conquistas das artes: Michelângelo, Cabral, Cristovão Colombo, Henrique de Sagres, Totticelli.
    E aqueles que estabeleceram as bases de uma renovação ideológica, através da Renascença, na Poesia, na Música, como Dante e outros - até os grandes pensadores do século XVIII: Voltaire, Montesquieu, Diderot. Todos eles ali estavam representando a cultura, a beleza, a arte, a sabedoria, quando a noite esplendorosa coruscante de estrelas parece cindir, e entidades respeitáveis descem na direção da assembléia, acompanhadas por um coral de vozes que exaltam a Era nova. Está à frente, a personalidade de Júlio César, o conquistador da África, aquele que reduziu o mundo a um departamento do Império Romano. O semblante de César, no entanto, está alterado. Ele agora traz a mente velada por um certo torpor, ostenta a coroa de louros e o manto de púrpura que foi usado por Carlos Magno, quando recebeu das mãos do papa a coroa de governador da Europa.
    Logo depois dele, a figura luminífera de Jan Huss (João Ganso), que tem o semblante iluminado pela perspectiva de uma grande conquista. Ambos descem ao cenáculo abençoado, e em meio a um silêncio profundo, ouve-se uma voz que diz, suave e grandiosamente: - César, deleguei-te a tarefa de preparar a Terra para o Cristianismo; convidei-te a abrir os horizontes de Roma para a minha chegada; estabeleci as diretrizes dos grandes conquistadores, para que um só idioma se espalhasse pelo mundo - desde a hora de Alexandre Magno, quando preparou o Mediterrâneo, através da língua grega, e tu preparaste os horizontes da Terra, através do latim.
    Mas, malograste dolorosamente, mergulhaste no prazer sanguissedento de destruição, e o punhal de Brutus arrebatou-te o corpo no momento em que te dirigias ao senado para rogares mais prepotência e mais poder. Hoje, eu te coloquei na indumentária de Napoleão Bonaparte, para que reúnas os estados europeus sob o estandarte da paz, a fim de que o meu mensageiro leve à Terra a mensagem que eu tenho embutido nos corações dos homens, e que os sentimentos vis entorpeceram erigindo as manifestações da teocracia, do absolutismo, do abuso. Eu sei que o mergulho na carne envolve a mente em sombras, mas a ti compete a tarefa de preparar a Terra para ele, o enviado do paracleto, o missionário da Terceira Revelação.
    Nesse momento, Jan Huss, que foram queimado no século XV, acerca-se de César (já como Napoleão Bonaparte) e curva-se, reverente. A voz transcendental prossegue dizendo: - Ele levará o símbolo da fraternidade, abrirá os caminhos por onde percorrerão as naves da Ciência, e nos seus passos estarão as Artes e a Literatura. Ele será o embaixador da Religião do Amor, que tem por base a Caridade e se fará acolitar por outros mensageiros de minha confiança, para preparar na Terra o advento do Reino dos Céus.
    Jan Huss levanta-se, dominado pelas lágrimas, contempla o infinito de onde vem a voz que ressoa naquele cenáculo abençoado. As observações penetram na acústica das almas e a pouco a pouco, acercam-se de Napoleão e do grande Jan Huss, seres angelicais que terão a tarefa de preparar o advento da Era nova no planeta terrestre. E à medida que eles sobem ao imenso palanque das exortações, a multidão se levanta e pétalas chovem, originadas de uma região ignota sobre a assembléia transcendental.
Fonte: http://www.comunidadeespirita.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Esse é o seu canal de comunicação comigo. Todas as mensagens são moderadas, por tanto, há sigilo total e caso você não queira que sua mensagem seja divulgada basta mencionar no texto, seus direitos são respeitados.
Obrigada por escrever-me!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...