terça-feira, 7 de junho de 2011

Educação dos Filhos Excepcionais

"Estende compassivas mãos aos pequeninos enfermos que chegam à Terra como lírios contundidos pelo granizo do sofrimento" (Meimei - Livro: Luz no Lar - Cap. 57 - FEB)


EVITAR A REJEIÇÃO

    A antecedência ao nascimento de uma criança traduz momentos de ampla expectativa, em que os pais aguardam um filho sadio e bonito, a coroar de bênçãos o lar.
    Todavia a chegada de uma criança não-correspondente aos seus sonhos representa um choque, um sofrimento. Ao encararem o problema, nasce a rejeição...
    A rejeição se destaca naqueles pais que vivem a esconder das pessoas o filho, nos que se envergonham dele e nos que o mantêm nas instituições especializadas, quase as 24horas do dia, para tê-lo pouco tempo em casa; igualmente nos pais sem paciência para ouvi-lo e aceitá-lo tal qual é. Isto, sem falar de "membros da sociedade" defensores da eutanásia ou do aborto, nos casos de identificação de filhos excepcionais.
    Este é um evidente sinal de que não aceitam nem entendem a função e o papel moral e espiritual de pais, rumo à eternidade.
    Quanto a estes, Augusto Cezar colhe o depoimento de uma mãe: "Ah!... os que assim agem não tiveram ainda o espírito bafejado pela ternura que um filho doente sabe inspirar".
    A mesma mãe, demonstrando sua grande capacidade amorosa e bela condição espiritual, reforça o depoimento: - "Diga-me se é justo suprimir um anjo desses, sonho de minha alma e força de minha vida, não só porque não possa brincar e falar como sucede às outras crianças".




RECURSOS MATERIAIS EM AUXÍLIO AOS PAIS

    Existem recursos materiais e espirituais para a melhoria da convivência com essas crianças.    
    Desde a primeira metade do século XIX, iniciaram-se esforços para a criação de métodos pedagógicos especializados. Estes esforços foram se somando a trabalhos desenvolvidos por grandes nomes tais como Itard, Charcot, Richet, Behring, Strumpel, Adler e Freud. Hoje, temos um ramo da pedagogia voltado para a educabilidade de crianças não-consideradas normais: a pedagogia teratológica, empregando métodos variados, principalmente a ergoterapia (cura pelo trabalho), a psicogogia (cura pelos processos de educação psíquica), a psicologia individual de Adler (cura pelo reconhecimento da coletividade), o método de sublimação de Freud (transformação da energia represada em valores morais, artísticos, sociais).
    Assim, os pais encontrarão, sob o aspecto material, orientação para lidar com elas, junto ao apoio de instituições especializadas.




RECURSOS ESPIRITUAIS
    Um dos maiores recursos que os pais devem utilizar em benefício desses filhos é a ACEITAÇÃO.
    A aceitação por parte dos pais faz que uma criança excepcional seja menos excepcional, aprendendo tarefas mais simples, retribuindo o carinho e o amor que recebe dos pais.
    Meimei concita-nos a estender as mãos a estes pequeninos anjos enfermos: "São aves cegas que não conhecem o próprio ninho, pássaros mutilados esmolando socorro em recantos sombrios..."
    A Doutrina Espírita Cristã ensina-nos os mecanismos da Lei Divina, o funcionamento da lei de causa e efeito, a sistemática das reencarnações e a continuidade da vida após a morte, além da profundidade dos vínculos espirituais que construímos em outras vivências, todos esses fatores convidando-nos para um comportamento mais rico de atitudes cristãs perante o problema que estamos ora tratando.
    Os pais podem aplicar os recursos da fé, da paciência, da esperança, da renúncia, do sacrifício, etc. Amenizando a aspereza da luta, a lhes exigir cotas maiores de esforço e dedicação.




PAIS EVANGELIZADOS

    Meimei conclama-nos: "Diante, pois, do teu filho aquinhoado de reconforto, pensa neles!...São nossos outros filhos do coração, que volvem das existências passadas, mendigando entendimento e carinho..."
    Depreendemos, então, que Deus entrega esses "anjos enfermos" à ternura, ao carinho e ao sacrifício de almas preparadas para o mister de serem pais, desvelados e vitoriosos espiritualmente.
    Chico Xavier oferece-nos belíssima ilação: "A maternidade é um privilégio que Deus concedeu à mulher; então, toda mulher desfruta deste privilégio da Providência Divina, mas os filhos excepcionais são confiados tão-somente às grandes mulheres que têm capacidade de amar até ao infinito".
    Quando Deus nos confiar semelhante tarefa, utilizemos o recurso incondicional do Evangelho, a nos preparar e auxiliar em quaisquer testes, superando, desde os menores obstáculos, até as montanhas das grandes provas.
    Pensemos: os irmãos de hoje presos na gaiola da carne trabalham pela liberdade da alma, afastados dos remorsos e crimes perpetrados no escoadouro dos séculos. A opotrunidade do resgate é a mola-mestra da recuperação moral e reeducação espiritual de si próprios, protegidos no corpo qual aves no ninho, abrigando-se das tempestades.
    Não fujamos dos testes que se nos apresentam, aplicando em tudo a terapêutica do Cristo, como recurso poderosíssimo rumo à cura.
    Pais espíritas, toda prova no lar é bafejo da confiança que desce dos "Céus", grafando em nossos corações - à custa de lutas e alegrias, sofrimento e satisfação - a legenda divina do amor e da justiça, da bondade e da misericórdia, que, proferida pelo meigo Rabi da Galiléia, ainda ecoa na acústica de nossas almas:
    "Todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim mesmo que o fizestes".
(Jesus)

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