Hoje pela manhã, ao tomar o ônibus deparei-me com uma cena triste. Uma senhora entrou no coletivo com o punho do braço esquerdo imobilizado por uma faixa, ela chora compulsivamente, com dificuldades para mover--se devido a intensidade da dor, ela estava praticamente sem lugar.
Quando levantei-me para prestar auxílio, um rapaz entrou no ônibus, possou em minha frente e perguntou a ela?
- "O que te faz chorar, minha senhora?"
E ela em gemidos profundos de dor, disse:
- "Meu braço dói muito, mas eu confio nos profissionais que estão cuidando de mim, confio em Deus, eu tenho fé, mas há momentos que ficam insuportáveis, então por isso eu choro.
Então o rapaz questionou sobre o tamanho da fé.
- "O tamanho da sua fé sempre deve ser maior que o tamanho da sua dor. Isso, porque a senhora está sentindo somente a sua dor. Mas há muitos outros que estão a beira da fraqueza porque não tem o conforto do ônibus para transportá-los. Mas... continue orando e com fé em Deus, que talvez essa dor deve ser um obstáculo para evitar um mal maior."
A mulher parou de chorar e ficou prestando atenção na dificuldade que o rapaz tinha na fala, então ela perguntou:
- "Por que você fala assim, meio lento?"
E ele não exitou em responder, viu que o papo que ele estava tendo com ela a estava fazendo esquecer da dor.
- "Eu sou atleta, mas sou atleta de uma equipe vencedora, a qual muitos rotulam como deficientes físicos. Sofri um acidente, que dispensa detalhes, mas... se não fosse isso talvez eu não passasse por cima de muitos sentimentos que me cegavam, que não me deixavam ver o quanto a vida é linda.
Com minhas dificuldades, no início, fiquei praticamente vegetando, mexia só os olhos, alimentava e fazia minhas necessidades pelas sondas. Cada dia eu descobria que conseguia fazer algum movimento diferente com os olhos, comecei piscando os dois olhos pra dizer aos médicos que ora eu estava bem, que ora eu queria alguém perto, e por aí foi. Conseguia fazer um movimento de cada vez, e as dores no meu corpo inteiro eram insuportáveis, mas graças aos medicamentes ia me dando alívio. Enfim, a cada descoberta que eu fazia em mim, me sentia motivado com a vida, essa verdadeira vida, de respirar, de dar boas gargalhadas, de ver o céu mais azul e as flores mais vivas. E isso me fez esquecer as minhas dores e me deu forças para lutar contra os meus obstáculos. Também agradecer a Deus por ter nascido de novo.
Para alguém que a medicina dizia que jamais passaria dos movimentos dos olhos, qual a opinião da senhora a meu respeito?"
Olhei para a mulher e ela estava boca-aberta, e olhava-o de cima em baixo, e falou:
- "Menino do céu! Como você enganou os médicos, heim!"
E ele despedindo dela disse:
- "Minha senhora, eu não enganei ninguém. É que nós temos uma força grande aqui dentro do peito e não sabemos usar porque estamos cegos com as facilidades e paixões da vida. Não que a vida tenha culpa, mas é que a tudo culpamos a vida, a Deus. Mas, houve um momento que descobri como orar com fé, foi aí que eu me dei conta do quanto sou amado por Deus e o quanto ele nos ouve. Ele nos ouve e nos atende da forma conveniente e conforme tudo que de bom ou ruim já fizemos. Descobri que quando eu orava, tinha que olhar para o leito do lado e pedir a Deus por aquele que estava pior que eu, assim dia-após-dia eu ia me esquecendo das dores e focando no quanto a vida é linda e quantos a perdem por serem tão egoístas."
...Enfim, o moço despediu e desceu do ônibus.
Eu o conheço, sei da sua história, afinal, ele é meu vizinho, é um rapaz encantador. Realmente Deus lhe deu uma oportunidade de rever seus conceitos de vida e transforma-la, pois o rapaz abraçou com fé. Afinal, a vida é um talento ofertado por Deus para que façamos as lições de casa direitinho. Vai depender de cada um como valorizar e desenvolver seu talento.
Como já mencionou Allan Kardec - "Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da humanidade"
A Fé raciocinada deixa de possuir conotação de algo obtido por uma graça, por um mistério que não pode ser explicado. Ela, portanto, difere de tudo o que caracteriza a Fé religiosa, porque baseia-se na busca do entendimento e do discernimento.
A fé é mãe da esperança e da caridade", o que é facilmente compreensível, porque todo aquele que a possui, conforme a Doutrina Espírita, apresenta um sintoma de que já conquistou estágios importantes e, como tal, ela já está incorporada ao seu acervo tornando-se natural a prática do amor e da caridade.
Então reflita, como você tem agradecido a Deus por todos os presentes que ele te oferece dia-a-dia. Por exemplo: o corpo (seja ele mutilado ou perfeito) que respira, o oxigênio, as manhãs sonorizadas pelo canto dos pássaros, gritos de criança. O sol ou a chuva... O restante, virá conforme nosso mérito.
Bom fim de semana a todos, e reflitam na paz em companhia do Mestre Amado Jesus.


Nenhum comentário:
Postar um comentário
Esse é o seu canal de comunicação comigo. Todas as mensagens são moderadas, por tanto, há sigilo total e caso você não queira que sua mensagem seja divulgada basta mencionar no texto, seus direitos são respeitados.
Obrigada por escrever-me!